sexta-feira, fevereiro 05, 2010



AMAR É RARO


Amar é dar, derramar-me num vaso que nada retém e sou um fio de cana por onde circulam ventos e marés. Amar é aspirar as forças generosas que me rodeiam, o sol e os lumes, as fontes ubérrimas que vêm do fundo e do alto, água e ar, e derramá-las no corpo irmão, no cadinho que tudo guarda e transforma para que nada se perca e haja um equilíbrio perfeito entre o mesmo e o outro que tu iluminas. Dar tudo ao outro, dar-lhe tanta verdade quanta ele possa suportar, e mais e mais; obrigar o outro a elevar-se a um grau superior de eminência, fulguração, mas não tanto que o fira ou destrua em overdose que o leve a romper o contrato — o difícil equilíbrio dos amantes! Amar é raro porque poucos somos capazes de respirar as vastas planícies com a metade do seu pulmão; e amar é raro porque poucos aceitam a presença do seu gémeo, a boca insaciável de um irmão que todos os dias o vento esculpe e destrói.




Autor: Casimiro de Brito, in 'Arte da Respiração'
imagem tirada da net

sábado, janeiro 23, 2010

Desculpem a qualidade das fotos , mas fui apanhada de surpresa com tal postal. Estamos em Santarém, capital do Ribatejo, século XXI e esta senhora vai de carroça, sim, de carroça, na circular urbana de Santarém, em direcção à auto-estrada A1. No mínimo, é surrealista! Se vissem à velocidade que ia!! Na maior descontracção! Nunca passou nessa hora nenhuma brigada de trânsito. Fantástico! O nosso Portugal profundo.


( ampliar para ver)

Esperava ver tudo hoje, menos tal situação, que no mínimo é caricata.


quinta-feira, janeiro 21, 2010


"Deus quer, o homem sonha, a obra nasce."





Autor: (Fernando Pessoa)

foto minha:(plantas expontâneas)


"Que formosa aparência tem a falsidade."




Autor: (William Shakespeare)
imagem da net



As pessoas afivelam uma máscara, e ao cabo de alguns anos acreditam piamente que é ela o seu verdadeiro rosto. E quando a gente lha arranca, ficam em carne viva, doridas e desesperadas, incapazes de compreender que o gesto violento foi a melhor prova de respeito que poderíamos dar.





Autor : (Miguel Torga)

foto: minha (lagartixas ao sol )


Actua sempre de modo a que a tua conduta pudesse servir de princípio a uma legislação Universal.




Autor:( Kant)

foto minha(campo de ervas expontâneas)

quarta-feira, janeiro 20, 2010



"O covarde só ameaça quando se acha em segurança."



Autor: Goethe

foto minha: ( lagartixas expostas ao sol de Invern0)


"A verdadeira medida de um homem não é como ele se comporta em momentos de conforto e conveniência, mas como ele se mantém em tempos de controvérsia e desafio."



Autor: Martin Luther King

Foto minha


"Os Homens são animais muito estranhos: uma mistura do nervosismo de um cavalo, da teimosia de uma mula e da malícia de um camelo."



Autor: Aldous H.

foto minha



"A compaixão pelos animais está intimamente ligada a bondade de caráter, e quem é cruel com os animais não pode ser um bom homem."



Autor: Arthur Schopenhauer

Foto minha

terça-feira, janeiro 19, 2010




Em Louvor das Crianças



Se há na terra um reino que nos seja familiar e ao mesmo tempo estranho, fechado nos seus limites e simultaneamente sem fronteiras, esse reino é o da infância. A esse país inocente, donde se é expulso sempre demasiado cedo, apenas se regressa em momentos privilegiados — a tais regressos se chama, às vezes, poesia. Essa espécie de terra mítica é habitada por seres de uma tão grande formosura que os anjos tiveram neles o seu modelo, e foi às crianças, como todos sabem pelos evangelhos, que foi prometido o Paraíso. A sedução das crianças provém, antes de mais, da sua proximidade com os animais — a sua relação com o mundo não é a da utilidade, mas a do prazer. Elas não conhecem ainda os dois grandes inimigos da alma, que são, como disse Saint-Exupéry, o dinheiro e a vaidade. Estas frágeis criaturas, as únicas desde a origem destinadas à imortalidade, são também as mais vulneráveis — elas têm o peito aberto às maravilhas do mundo, mas estão sem defesa para a bestialidade humana que, apesar de tanta tecnologia de ponta, não diminui nem se extingue. O sofrimento de uma criança é de uma ordem tão monstruosa que, frequentemente, é usado como argumento para a negação da bondade divina. Não, não há salvação para quem faça sofrer uma criança, que isto se grave indelevelmente nos vossos espíritos. O simples facto de consentirmos que milhões e milhões de crianças padeçam fome, e reguem com as suas lágrimas a terra onde terão ainda de lutar um dia pela justiça e pela liberdade, prova bem que não somos filhos de Deus.




Autor: Eugénio de Andrade, in 'Rosto Precário'

texto e imagens tiradas da net



As palavras que te envio são interditas




As palavras que te envio são interditas
até, meu amor, pelo halo das searas;
se alguma regressasse, nem já reconhecia
o teu nome nas suas curvas claras.



Dói-me esta água, este ar que se respira,
dói-me esta solidão de pedra escura,
estas mãos nocturnas onde aperto
os meus dias quebrados na cintura.



E a noite cresce apaixonadamente.
Nas suas margens nuas, desoladas,
cada homem tem apenas para dar
um horizonte de cidades bombardeadas.





Autor:Eugénio de Andrade

foto tirada da net
Eugénio de Andrade faria hoje 87 anos

sexta-feira, janeiro 15, 2010

Ode ao Gato


Tu e eu temos de permeio

a rebeldia que desassossega,

a matéria compulsiva dos sentidos.

Que ninguém nos dome,

que ninguém tente

reduzir-nos ao silêncio branco da cinza,

pois nós temos fôlegos largos

de vento e de névoa

para de novo nos erguermos

e, sobre o desconsolo dos escombros,

formarmos o salto

que leva à glória ou à morte,

conforme a harmonia dos astros

e a regra elementar do destino.




José Jorge Letria, in "Animália Odes aos Bichos"

imagem da net



Perdi os Meus Fantásticos Castelos

Perdi meus fantásticos castelos
Como névoa distante que se esfuma...
Quis vencer, quis lutar, quis defendê-los:
Quebrei as minhas lanças uma a uma!


Perdi minhas galeras entre os gelos
Que se afundaram sobre um mar de bruma...
- Tantos escolhos!
Quem podia vê-los?
– Deitei-me ao mar e não salvei nenhuma!


Perdi a minha taça, o meu anel,
A minha cota de aço, o meu corcel,
Perdi meu elmo de ouro e pedrarias...


Sobem-me aos lábios súplicas estranhas...
Sobre o meu coração pesam montanhas...
Olho assombrada as minhas mãos vazias...




Autor:Florbela Espanca, in "A Mensageira das Violetas"

foto minha



Se um Dia a Juventude Voltasse


se um dia a juventude voltasse

na pele das serpentes atravessaria toda a memória

com a língua em teus cabelos dormiria no sossego

da noite transformada em pássaro de lume cortante

como a navalha de vidro que nos sinaliza a vida


sulcaria com as unhas o medo de te perder...eu

veleiro sem madrugadas nem promessas nem riqueza

apenas um vazio sem dimensão nas algibeiras

porque só aquele que nada possui e tudo partilhou

pode devassar a noite doutros corpos inocentes

sem se ferir no esplendor breve do amor


depois... mudaria de nome de casa de cidade de rio

de noite visitaria amigos que pouco dormem e têm gatos

mas aconteça o que tem de acontecer

não estou triste não tenho projectos nem ambições

guardo a fera que segrega a insónia e solta os ventos

espalho a saliva das visões pela demorada noite

onde deambula a melancolia lunar do corpo


mas se a juventude viesse novamente do fundo de mim

com suas raízes de escamas em forma de coração

e me chegasse à boca a sombra do rosto esquecido

pegaria sem hesitações no leme do frágil barco... eu

humilde e cansado piloto

que só de te sonhar me morro de aflição



(autor: Al Berto, in 'Rumor dos Fogos' )

foto minha

terça-feira, janeiro 12, 2010

EXPOSIÇÃO DE FOTOGRAFIA NA BIBLIOTECA MUNICIPAL DE ALPIARÇA
DE 9 A 30 DE JANEIRO


A VISITAR NO HORÁRIO DE FUNCIONAMENTO DA BIBLIOTECA ( CONSULTAR O SITE)
www.alpiarca.pt/biblioteca

sexta-feira, janeiro 08, 2010




"A gargalhada é o sol que varre o Inverno do rosto humano"


Victor Hugo
foto minha

"E no meio de um Inverno eu finalmente aprendi que havia dentro de mim um Verão invencível"


foto minha






CEGONHA


Olá, cegonha
Gosto de ti
Há tanto tempo te não via por aí
Nem teus ninhos nos telhados
Nem as asas pelo céu
Olá, cegonha
Que aconteceu

Ainda me lembro
De ouvir dizer
Que tu, de longe, os bébés vinhas trazer
Mas os homens vão crescendo
E as cegonhas a morrer
Ainda me lembro
Não pode ser

Adeus cegonha
Tu vais voar
E a gente sonha
É bom sonhar

No teu destino
Por nós traçado
Leva o menino
Que é pequenino
Toma cuidado

Adeus, cegonha
Adeus, lembranças
A gente sonha
Como crianças

Faz outro ninho
Nos altos céus
Vai de mansinho
Mas, p'lo caminho
Diz-nos adeus





(letra e música : Carlos Paião)
as fotos são minhas

domingo, janeiro 03, 2010




MELODIA DE INVERNO



Mañana de invierno.

Silencio. Neblina.

La vega aplanada exhala luz divina.

Mudos los jardines bellos.

Cielo azul. Fuentes heladas.

Mustias rosas escarchadas.

Blancos e turbios destellos.

Una madre andrajosa cruza el jardín.

Tiene el sol un crescendo.

Suaves nubes infinitan el confínsu finito esparciendo.

La madre suspira…El niño se mueve inquieto

Dibujando a través de los paños

La forma de su esqueleto.

Dolorosa dulzura en el ambiente.

Soleada tibieza.

Cielo azul.

Mustias rosas.

Tranquila grandeza.

Mañana de invierno

Cargada de pereza.


(poesia de: Federico García Lorca)
foto minha