
No coração da magnólia
De repente a magnólia pulsa,
não digas a solidão.
Guarda tudo, pois a música escoa,
um rumor de chuva
mansa, cintila
no rastro da lua
e pulsa o coração,
chegam os seres da noite
de pálpebras carregadas
sonhos em filigrana, o grito contido.
O orvalho acontece
por dentro, olhos recolhidos
na saudade, o frio,
de repente a magnólia
pulsa, e a escuridão
é um adágio, não digas a solidão.
Alguém que me lê
o centro do coração ilumina-se,
o poema flui e ouves
o canto, não as palavras
decepadas,
arrancadas à opacidade.
Ouves. No coração da magnólia
(in jornal de poesia/Mª João Cantinho)

A Magnólia
A exaltação do mínimo,
e o magnífico relâmpago
do acontecimento mestre
restituem-me a forma
o meu resplendor.
Um diminuto berço me recolhe
onde a palavra se elide
na matéria - na metáfora -
necessária, e leve, a cada um
onde se ecoa e resvala.
A magnólia,
o som que se desenvolve nela
quando pronunciada,
é um exaltado aroma
perdido na tempestade,
um mínimo ente magnífico
desfolhando relâmpagos
sobre mim.
Luiza Neto Jorge
As fotos são minhas, os poemas não.
As magnólias, são mais uma maravilhosa obra da Natureza.
Fiquem bem
Ana Paula