sábado, agosto 04, 2007



Esta velha angústia,

Esta angústia que trago há séculos em mim,

Transbordou da vasilha,

Em lágrimas, em grandes imaginações,

Em sonhos em estilo de pesadelo sem horror,

Em grandes emoções súbitas sem sentido

nenhum.


Transbordou.

Mal sei como conduzir-me na vida

Com este mal estar a fazer-me pregas na alma!

Se ao menos endoidecesse deveras!

Mas não: este estar entre,

Este quase,

Este poder ser que ...

Isto.


Um internado num manicómio é, ao menos,

alguém,

Eu sou um internado num manicómio sem manicómio.


Estou doido a frio,

Estou lúcido a louco,

Estou alheio a tudo e igual a todos:

Estou a dormir desperto com sonhosque são

loucura


Porque não são sonhos.

Estou assim...



Poema de Álvaro de Campos




Ante una vida tan perra

No puedes ver si la Terra

Gira llevando tras ella

Una míriada de estrellas.

Sobre las nubes, colgados,

Trescientos sueños dorados

Ignorando tus desvelos

Aunque se quemen los cielos.


( autor desconhecido e tirado da net)

7 comentários:

Teresa David disse...

Lindissimos poemas que me tocaram, particularmente o primeiro, ou não padecesse eu duma "rarissima" que não me deixa viver sem dores, que já sinto como eternas companheiras.
voltei a postar se quiseres vê e lê os meus motivos de ausência, que vais achar graça.
Bjs
TD

Kalinka disse...

OL� ANA

MUITO LINDO.
OBRIGADO por connosco partilhares �lvaro de Campos. ADOREI.

Come�a hoje a verdadeira Odisseia, n�o de Homero, mas da Kalinka...est�s curiosa?

Ent�o...
vem espreitar:
Uma dessas comodidades s�o as ruas subterr�neas, uma verdadeira cidade por baixo de _____, que permitem que a popula�o transite sem precisar de casaco, botas, gorros e luvas. Ali, a temperatura � normal, talvez at� um pouco quente demais. Na cidade subterr�nea, as principais ruas do centro s�o interligadas por t�neis, passagens para pe�es e escadas rolantes que ligam pr�dios comerciais, esta�es de metro, �reas de lazer, cinemas e hot�is, facilitando a vida dos pe�es. S�o mais de 30 km de extens�o, onde as pessoas se encontram protegidas. Os turistas ficam fascinados com isso e, quando voltam da viagem, � s� no que falam, como se em ______ n�o houvesse nada mais interessante que isso.

Bom domingo.

viajante disse...

Há Azulejos " conhecidos " lá no nosso espaço.

Paula Raposo disse...

Gosto sempre de te visitar. Estes poemas condizem bem com o meu estado de espírito...beijos.

amigona avó e a neta princesa disse...

Lindo...

Maria disse...

Ana Paula

Vou deixar-te aqui uma frase batida: Melhores dias virão...
Sei que tens a força suficiente para ultrapassares fases menos boas da tua doença.
E embora goste muito dos poemas, não posso deixar de registar a "angústia" a vermelho...
Não é, não será, o tempo, ainda.

Deixo-te um beijo cheio de carinho

Era uma vez um Girassol disse...

Querida Ana Paula, vim a correr dar-te uma força e dizer-te que não há mal que dure...
Desejo que logo, logo toda a angústia e dor que sentes se afastem para te deixar viver com a alegria e partilha que te conhecemos.
Uns poemas belissimos que escolheste e bem espelham o teu sentir.
Abraço apertado e beijinhos da flor