segunda-feira, outubro 19, 2009

QUEM VÊ CARAS NÃO VÊ CORAÇÕES
(actriz Letícia Sabatella interpretando a psicopata Yvone em Caminho das Indias)
Psicopatas “leves”, pesam muito!


Quem não conhece um psicopata “leve”? Depois de ter lido o livro "Mentes Perigosas", da psiquiatra Ana Beatriz Barbosa Silva, você vai ver que conhece, e muitos!Eles são narcisistas, egocêntricos. Pensam muito e sentem pouco. Tomam decisões a partir de como podem ser beneficiados com prazer, auto-satisfação, poder, status e diversão.Além de terem o prazer no "errado", isto é, de nadar contra a corrente, facilmente se ofendem e tornam-se violentos, pois não suportam contrariedades. São sempre vítimas.


Intolerantes ao tédio ou a situações rotineiras, os psicopatas procuram situações que possam mantê-los em um estado permanente de alta excitação. Por isso, evitam actividades que exigem grande concentração por longos períodos. Compromissos e obrigações nada significam para eles.Naturalmente, pessoas assim não são confiáveis. Eles mentem, manipulam e chantageiam sem a menor dificuldade. Inteligentes, manipuladores, especializados no assédio psicológico, sabem convencer os outros. Eles conhecem as fraquezas alheias, apesar de não serem capazes de sentir o que os outros sentem.Um dado importante: todo o psicopata, de grau mais leve ou mais alto, tem consciência de seus actos, mas não sente a dor que causa nos outros, porque simplesmente o seu cérebro não funciona assim.

Vamos compreender isso melhor. A grande maioria dos seres humanos é formada de empáticos: o sofrimento alheio provoca dor neles mesmos, o que os leva a tentar ajudar os seus semelhantes. Ajudar o outro é uma forma de aliviar a dor que este lhes causa. Desta forma, o nosso cérebro leva-nos a ter comportamentos que garantem a harmonia social.
De modo simples e didáctico, podemos resumir o nosso cérebro em duas importantes áreas: o sistema límbico (a sede das emoções) e o lobo frontal (sede do raciocínio).Uma pessoa empática é capaz de ter acções compassivas e socialmente adequadas pois, como o seu sistema límbico é activado por emoções básicas, como raiva e medo, ele envia sinais para o lobo frontal onde são activadas as áreas responsáveis pelos aspectos cognitivos - frios e racionais, assim como o julgamento moral.

Estudos comprovam que 4% da população mundial sofre de um déficit nos circuitos do sistema límbico, que deixa de transmitir, de forma correcta, as informações para que o lobo frontal possa desencadear comportamentos adequados. Ou seja, chegam menos informações do sistema afectivo para o centro executivo do cérebro. Assim, o lobo frontal, sem dados emocionais, prepara um comportamento lógico e racional, mas desprovido de afecto. Por isso, eles têm consciência de seus actos, mas não sentem a dor que causam nos outros!Desta forma, os psicopatas não sentem medo nem ansiedade: parecem imunes ao stress. Permanecem calmos em situações que fariam muitas outras pessoas entrar em pânico. São indiferentes à ameaça de punição. Eles têm até dificuldade de reconhecer medo e tristeza nos rostos e nas vozes das pessoas.

Uma vez que admitimos que uma pessoa é assim, biologicamente incapaz de se responsabilizar por suas acções, ficamos estupefactos. Segundo a psiquiatra Ana Beatriz Barbosa Silva, estas pessoas nascem assim e irão morrer assim. Então, desista de querer mudá-los!Mas, como lidar com eles? Como sentir compaixão por estas pessoas capazes de ferir e destruir a vida de tantas outras pessoas?Tenho pensado bastante sobre isso. Em primeiro lugar, creio que seja importante admitirmos que certas pessoas são mesmo assim. Não precisamos rotulá-las de psicopatas, associando-as com pessoas criminosas e intencionalmente agressivas. Apenas reconhecer que certas pessoas são mesmo um pouco assim. Um pouco é um dado relevante. Reconhecer este pouco já vai nos ajudar muito! Pois passaremos a investir nos relacionamentos com uma moeda de troca mais real e coerente.Por exemplo, quando alguém nos mantém refém de suas promessas.

Parece que o melhor está sempre por vir e que nos cabe a nós, tão somente, saber conter a nossa ansiedade, nos responsabilizarmos pelos danos da espera e "confiar neles". Como pessoas empáticas, não somos impulsivos. Mas, quando as promessas revelam-se mecanismos de controle para manter a situação vigente, devemos abrir os olhos!Nestes casos, segue aqui um conselho: não confunda o que uma pessoa diz ter para oferecer, com ela mesma. Sua capacidade de realizar o que diz não é real!Portanto, a primeira coisa a fazer é ajustar a intenção com que as promessas são reveladas, com a realidade concreta dos factos. Uma vez recuperada a lucidez de nossa real situação, temos que nos preparar para olhá-la sob uma nova perspectiva. Como diz o velho ditado: "mais vale um pássaro na mão do que dois a voar".Pare e reflicta. Você está a ser refém de alguma promessa manipuladora? Caso a resposta seja sim, calma. Mesmo consciente de sua limitação, será preciso ir aos poucos. Procure ajuda daqueles que souberam reconhecer e superar relacionamentos semelhantes. Uma vez livres de tal jogo sedutor, poderemos ter compaixão por eles. Mas, antes disto, é preciso curar-nos. Lembre-se, eles não mudam e não será você que irá provar o quanto é boa e capaz ao tentar mudá-los!


Eles/elas andam por aí e bem mais perto do que alguma vez pensou. Podem ser seus vizinhos, seus colegas de trabalho, seus “amigos”, seus chefes, até pessoas com cargos importantes e com bastantes responsabilidades. Há que saber defender-se de tais “psicopatas leves e falsos”


Bel Cesar é terapeuta e dedica-se ao atendimento de pacientes que enfrentam o processo da morte.Autora dos livros Viagem Interior ao Tibete, Morrer não se improvisa, O livro das Emoções e Mania de sofrer pela editora Gaia. Visite o Site: http://somostodosum.ig.com.br/

FOTO TIRADA DA NET

2 comentários:

Fernando Santos (Chana) disse...

Olá Ana Paula, gostei do post...Excelente....
Beijos

Patudos disse...

Chana
A sociedade onde vivemos têem muitas pessoas como estas. Temos que saber lidar com elas, mesmo sendo quase impossivel , mas tem de ser.
bjos
fica bem
Ana Paula