quinta-feira, agosto 20, 2009


X

Não é como se a mão hesitasse no gesto fundador.
O movimento espera que um astro se incendeie
em todos os tendões
para que nenhuma palavra seja o frio nexo da loucura
ou o vento soprado como sangue.
Uma pedra sobre a boca pode ser o único sustento
para essa fome.
Mas a mão que escreve avança como faca
arrancando à garganta o seu êxtase carbonizado.
A violência é a religião de Deus.

XVI


De cada vez que um de nós morre
há uma faca apontada às jugulares:
o silêncio como mantimento.

A morte equilibra-se em nossos corações
com o deslumbramento.

Há-de haver um corpo que transite de alma em alma
e em cujos olhos se alumie a força brutal da mesma vida.
Há-de haver uma voz desvairada que se derrame como napalm
sobre a noite que nos envolve.
Por agora não sei como tocar a distância de onde nos falam.

Autor: João Moita

in : " O Vento Soprado como Sangue"

imagem tirada da net


6 comentários:

Paula Raposo disse...

Fabuloso!! Adorei! Obrigada pela partilha!! Muitos beijos.

Ana Patudos disse...

Olá Paula
O João é um jovem de vinte e poucos anos de uma grande sensibilidade e rodeado de gente muito válida no mundo da escrita.
Ele próprio é um "diamante" que à medida que o tempo passa , vai sendo lapidado e o seu brilho e criatividade vêem ao cimo.Ele merece.
bjos
Ana Paula

Ana Patudos disse...

Para o João Moita desejo tudo de bom e que ele consiga sempre realizar os seus sonhos.
Assim como também desejo para o meu filho Eduardo na música, pois quer um , quer outro, eles são da mesma geração e são muito criativos.
Para eles, desejo tudo de bom.

Ana Paula

João Moita disse...

Obrigado Paula. O apoio e a amizade que tenho recebido de todos vocês não tem sido alheio ao que escrevo. A vossa força tem sido um grande exemplo.

Méon, disse...

Ah! Assim está bem!
Poemas de enorme força expressiva!

Obrigado.

Beijo conterrâneo

Ana Patudos disse...

M. Duarte
O João Moita é um jovem de grande valor, por isso devemos dar-lhe todo o nosso apoio.
Abraço
AP